Segundo a imprensa oficial chinesa, Xi afirmou que China e Brasil devem salvaguardar interesses comuns do Sul Global e defender conjuntamente o protagonismo das Nações Unidas na governança mundial. O líder chinês também ressaltou a cooperação estratégica entre os dois países, destacando parcerias econômicas e políticas construídas nos últimos anos — especialmente após a elevação do relacionamento bilateral para uma “comunidade com um futuro compartilhado”, conforme divulgado pelo governo de Pequim.
A iniciativa de aproximação se dá após declarações públicas de Lula criticando atos de força unilateral dos Estados Unidos, como a operação militar na Venezuela que resultou na prisão de Nicolás Maduro, e após tensões que suscitaram debates sobre soberania e intervenção externa. A ligação entre Lula e Xi segue nessa linha de reforçar apoio mútuo em fóruns multilaterais, mas também evidencia a busca de Brasília por respaldo de regimes autoritários em um contexto de fragilidade diplomática dos países ocidentais tradicionais.
Para setores conservadores, a mensagem de Xi pode ser interpretada como um sinal de interesse estratégico de Pequim em ampliar sua influência na América Latina, aproveitando a postura crítica de Lula em relação aos EUA, em vez de se consolidar uma cooperação baseada em valores democráticos e respeito às soberanias nacionais. Por outro lado, defensores do fortalecimento das relações com a China veem na articulação uma oportunidade de reforçar o papel do Brasil no cenário global, sobretudo frente às pressões e polarizações atuais.
A conversa entre os líderes foi oficialmente confirmada por meio de Xinhua, agência de notícias estatal chinesa, e também repercutida por agências internacionais, que apontam Xi como disposto a manter a China como um parceiro constante para o Brasil em tempos descritos por Pequim como de “instabilidade e incerteza global”
