Xi Jinping endossa Lula em meio a crise global e reforça alinhamento com China sobre ONU e Sul Global

JR Ferreira
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 Em um momento de tensões internacionais crescentes, o presidente da China, Xi Jinping, telefonou ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva para reiterar o apoio de Pequim ao Brasil e aos países do chamado Sul Global, destacando a necessidade de fortalecer o papel da Organização das Nações Unidas (ONU) frente ao atual cenário geopolítico. A conversa, divulgada por agências estatais chinesas, ocorre em meio à controvérsia gerada por movimentos militares e ações diplomáticas recentes no Oriente Médio.

Segundo a imprensa oficial chinesa, Xi afirmou que China e Brasil devem salvaguardar interesses comuns do Sul Global e defender conjuntamente o protagonismo das Nações Unidas na governança mundial. O líder chinês também ressaltou a cooperação estratégica entre os dois países, destacando parcerias econômicas e políticas construídas nos últimos anos — especialmente após a elevação do relacionamento bilateral para uma “comunidade com um futuro compartilhado”, conforme divulgado pelo governo de Pequim.

A iniciativa de aproximação se dá após declarações públicas de Lula criticando atos de força unilateral dos Estados Unidos, como a operação militar na Venezuela que resultou na prisão de Nicolás Maduro, e após tensões que suscitaram debates sobre soberania e intervenção externa. A ligação entre Lula e Xi segue nessa linha de reforçar apoio mútuo em fóruns multilaterais, mas também evidencia a busca de Brasília por respaldo de regimes autoritários em um contexto de fragilidade diplomática dos países ocidentais tradicionais.

Para setores conservadores, a mensagem de Xi pode ser interpretada como um sinal de interesse estratégico de Pequim em ampliar sua influência na América Latina, aproveitando a postura crítica de Lula em relação aos EUA, em vez de se consolidar uma cooperação baseada em valores democráticos e respeito às soberanias nacionais. Por outro lado, defensores do fortalecimento das relações com a China veem na articulação uma oportunidade de reforçar o papel do Brasil no cenário global, sobretudo frente às pressões e polarizações atuais.

A conversa entre os líderes foi oficialmente confirmada por meio de Xinhua, agência de notícias estatal chinesa, e também repercutida por agências internacionais, que apontam Xi como disposto a manter a China como um parceiro constante para o Brasil em tempos descritos por Pequim como de “instabilidade e incerteza global”

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