Toffoli recua e determina que material apreendido no caso Banco Master seja entregue à PGR

Paulo Bahia
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  O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, voltou atrás em sua posição anterior e decidiu que o material apreendido pela Polícia Federal na segunda fase da Operação Compliance Zero contra o Banco Master será agora encaminhado à **Procuradoria-Geral da República (PGR), em vez de permanecer sob custódia do STF.


  Inicialmente, Toffoli havia determinado que todos os bens, dispositivos eletrônicos e demais itens apreendidos nas ações de busca e apreensão fossem lacrados e guardados no Supremo, sob sua supervisão. A decisão gerou desconforto entre delegados da PF, que apontaram risco à integridade da investigação e defenderam que o material deveria ser analisado com urgência pela própria corporação.


  Na operação desta quarta-feira (14), foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão relacionados ao caso Master, incluindo a apreensão de aparelhos eletrônicos, veículos de luxo, armas de fogo e dinheiro em espécie — parte dos quais está avaliada em milhões de reais. Também houve a prisão temporária de Fabiano Zettel, cunhado do empresário Daniel Vorcaro, fundador do banco.


  Atendendo a um pedido da PGR, Toffoli reconsiderou sua determinação anterior e autorizou que o material fosse diretamente entregue ao órgão ministerial para extração, análise e avaliação do conjunto probatório. Na nova decisão, o ministro destacou que essa medida permitirá à PGR obter uma “visão sistêmica” dos supostos crimes de grande complexidade investigados.


  Segundo a decisão, a Polícia Federal deve agora encaminhar o material apreendido diretamente à PGR, que ficará responsável por manter os itens sob condições que preservem seu conteúdo — como manter aparelhos eletrônicos carregados e em modo aeroplano — até a realização das perícias necessárias.


  A investigação mira supostas irregularidades financeiras, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master, com desdobramentos que incluem indícios de antecipação de ofensiva digital contra o Banco Central do Brasil e outras ações que teriam ocorrido antes da liquidação extrajudicial da instituição pelo órgão regulador.


  A mudança de entendimento por parte do ministro ocorre em um contexto de tensão entre o STF, a PF e a PGR sobre o manejo das provas, após críticas de policiais federais de que a custódia das apreensões pelo Supremo poderia prejudicar o andamento das análises técnicas imprescindíveis à investigação.


  Até o momento, nem a Polícia Federal nem a Procuradoria-Geral da República divulgaram posicionamentos públicos detalhados sobre o novo encaminhamento dos materiais.

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