A primeira-dama Janja da Silva voltou a chamar atenção nas redes sociais ao divulgar que preparou carne de paca, um dos pratos mais caros e sofisticados da culinária brasileira. A publicação, cheia de fotos e detalhes da receita, gerou imediata repercussão e críticas de quem vê nessa escolha um símbolo claro do abismo que separa a elite do Planalto da realidade da maioria dos brasileiros.
A carne de paca não é um item comum na mesa do cidadão comum. Trata-se de uma carne exótica, de sabor forte, que costuma ser vendida a preços elevados em feiras especializadas ou restaurantes de alto padrão. Enquanto muitas famílias brasileiras ainda enfrentam dificuldade para comprar cortes mais baratos como coxa de frango, músculo ou até o tradicional feijão com arroz, a primeira-dama exibe com naturalidade um prato que poucos conseguem colocar na mesa com frequência.
O contraste não poderia ser mais evidente. De um lado, um governo que insiste em falar de “inclusão social”, “combate à fome” e “igualdade”, e do outro, a primeira-dama servindo uma carne considerada de luxo em lives e publicações pessoais. Para muitos, isso não é apenas uma escolha gastronômica: é um sinal de desconexão profunda com o dia a dia do povo que paga altos impostos e ainda vê o custo de vida subir mês após mês.
Conservadores e cidadãos comuns questionam: será que a primeira-dama sabe quanto custa hoje o quilo da carne de paca em comparação com os cortes populares? Será que ela entende a dificuldade que milhões de mães de família enfrentam para alimentar os filhos com dignidade? Enquanto Janja posta receitas sofisticadas, o brasileiro médio segue calculando se sobra dinheiro para o gás de cozinha ou para a carne moída do mês.
Não se trata de proibir ninguém de comer o que quiser. O problema é o simbolismo. Quando a esposa do presidente da República exibe publicamente um prato caro e exótico, ela envia uma mensagem inconsciente: “Aqui no Palácio tudo bem, o luxo continua”. Enquanto isso, fora dos muros do Planalto, a conta não fecha para a maioria.
Esse episódio se soma a outros momentos em que o casal presidencial parece distante da realidade nacional: viagens internacionais caras, festas e eventos com alto custo, enquanto o discurso oficial insiste em falar de austeridade e preocupação com os mais pobres. A esquerda costuma acusar a direita de “elitismo”, mas cenas como essa mostram que o verdadeiro distanciamento está do lado de quem governa hoje.
O povo brasileiro não tem inveja de quem pode comer carne de paca. Tem, sim, o direito de esperar coerência de quem promete “governar para todos”. Quando a primeira-dama transforma a cozinha do Palácio em palco para pratos de luxo, ela não ofende apenas o bolso do brasileiro – ofende a inteligência de quem ainda acredita que o governo entende as dificuldades do dia a dia.
Enquanto Janja prepara sua paca, o brasileiro comum segue preparando o que consegue: arroz, feijão e a esperança de que, um dia, o governo pare de falar de igualdade e comece a viver um pouco mais perto da realidade do povo.