O presidente do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos, protagonizou mais um episódio que expõe o nível de ódio e intolerância que permeia certos círculos ditos “liberais” ou “anti-Bolsonaro”. Em declarações repercutidas pelo Pleno.News, Renan afirmou textualmente sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ): “Tem que morrer”. A frase, dita em contexto de discussão acalorada nas redes ou em live, não deixa margem para interpretações suaves: é uma ameaça direta, explícita e inaceitável em qualquer democracia que se preze.
Para quem acompanha a política brasileira, o episódio não surpreende. O MBL, que um dia se apresentou como movimento apartidário de jovens liberais lutando contra a corrupção, há anos se transformou em uma das principais máquinas de ataque sistemático à família Bolsonaro e ao conservadorismo popular. O que começou como críticas ao “populismo” e ao “bolsonarismo” evoluiu para linguagem violenta, desumanização e desejo explícito de eliminação física de adversários políticos. “Tem que morrer” não é metáfora política; é incitação ao ódio e, dependendo do contexto, pode configurar crime.
Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é senador da República, representante eleito por milhões de cariocas e figura pública que cumpre seu mandato dentro da legalidade. Ameaçá-lo de morte – ainda mais vindo de alguém com visibilidade nacional e liderança de movimento – não pode ser tratado como “exagero de internet” ou “brincadeira”. É grave, é perigoso e reforça o padrão duplo que domina o debate público: quando a direita critica duramente, vira “ameaça à democracia”; quando a “oposição liberal” deseja a morte de um conservador, vira silêncio ou relativização.
Conservadores e eleitores de bem que rejeitam esse tipo de discurso reagem com indignação legítima: “Se fosse o contrário, se um bolsonarista dissesse ‘Lula tem que morrer’ ou ‘Alckmin tem que morrer’, a mídia faria plantão, haveria inquérito no STF em horas, prisões e cancelamento total. Mas quando é contra um Bolsonaro, o silêncio é ensurdecedor”. E o silêncio, infelizmente, é regra: grande parte da imprensa tradicional minimiza, omite ou contextualiza como “briga de redes”, enquanto perfis alinhados ao MBL tentam justificar ou apagar o rastro.
Renan Santos e o MBL deveriam responder por isso. Não basta deletar print ou alegar “fora de contexto”. Ameaça de morte é crime previsto no Código Penal (art. 147), e quando proferida por figura pública contra autoridade eleita, ganha contornos ainda mais graves. O Ministério Público Federal, a Polícia Federal e o próprio STF – que tanto age em casos de “ameaças” à esquerda – têm o dever de investigar com a mesma rapidez e rigor.
Enquanto isso, o povo brasileiro assiste e anota: o ódio não tem lado ideológico exclusivo, mas a seletividade na punição sim. Quem prega “tolerância” e “democracia” não pode tolerar ou relativizar desejos de morte contra opositores. Flávio Bolsonaro, assim como qualquer cidadão, merece proteção e respeito – não incitação à violência.
O Brasil não precisa de mais divisão, nem de discursos que normalizem a morte como solução política. Precisa de debate firme, mas civilizado; de críticas duras, mas sem cruzar a linha do crime. Renan Santos cruzou essa linha. Que responda por isso – e que o MBL reflita se ainda representa juventude liberal ou apenas mais uma trincheira de ódio seletivo.
Porque ameaçar de morte um senador da República não é “oposição”; é crime. E crime não pode ser tratado como piada de Twitter.
