A cerimônia de posse da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, tornou-se alvo de forte repercussão por conta da roupa escolhida para o evento, em meio à atual crise econômica no país. Rodríguez, que assumiu o cargo em Caracas no início de janeiro, foi duramente criticada sobretudo nas redes sociais pela escolha de um vestido considerado caro em comparação com a realidade salarial da população venezuelana.
A peça, assinada pela grife italiana Chiara Boni La Petite Robe, chegou a ser associada a preços elevados em plataformas internacionais de moda. Estimativas indicam que a roupa pode custar entre 660 e 746 euros, o que equivale a cerca de R$ 4.000 a R$ 4.700, segundo levantamentos de portais de notícias.
O contraste entre o valor do vestido e os salários na Venezuela motivou comparações e críticas. Em postagens no X (antigo Twitter), usuários lembraram que, diante do salário mínimo extremamente baixo no país, levaria décadas para um trabalhador comum poupar o equivalente àquele traje. Esse tipo de proporção acabou viralizando e intensificou o debate público.
Outro aspecto destacado pelos críticos foi a escolha de uma grife estrangeira em um momento em que o discurso oficial do governo chavista costuma enfatizar valores contrários ao consumismo e à dependência de produtos importados. Para opositores e internautas, o episódio simboliza uma contradição entre o estilo de vida da elite política e as dificuldades enfrentadas pela maioria da população.
A polêmica sobre o vestuário ocorre em um contexto político já marcado por instabilidade e disputas de poder na Venezuela, após mudanças recentes na liderança executiva. Enquanto isso, o episódio com a roupa segue repercutindo internacionalmente como reflexo das tensões econômicas e sociais no país.