O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone nesta quarta-feira (14) com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Segundo relato exibido no Jornal Nacional, ambos defenderam a soberania da Venezuela e afirmaram que vão coordenar esforços para reduzir tensões na América Latina.
No entanto, conforme destacou o jornalista César Tralli, a conversa ignorou completamente a guerra na Ucrânia, invadida pela Rússia em 2022 — conflito que elevou as tensões internacionais ao maior patamar desde o fim da Guerra Fria.
“Nos relatos sobre o telefonema divulgados pelos dois governos, não consta que Lula e Putin tenham discutido a invasão pelos russos da Ucrânia, uma nação soberana, o que aumentou a tensão na Europa ao maior nível desde o fim da Guerra Fria”, afirmou César Tralli durante a edição do Jornal Nacional.
A observação do jornalista expõe uma contradição no discurso do governo brasileiro. Enquanto Lula se posiciona publicamente em defesa da soberania venezuelana — país governado por um regime aliado político —, evita mencionar ou cobrar respeito à soberania ucraniana diante do próprio líder responsável pela invasão militar.
O episódio reacende críticas à política externa do Planalto, acusada por opositores e analistas de adotar dois pesos e duas medidas quando o tema é soberania nacional: rigor no discurso quando se trata de aliados ideológicos e silêncio diante de violações cometidas por parceiros estratégicos.
A invasão da Ucrânia pela Rússia é amplamente condenada pela comunidade internacional, incluindo resoluções da ONU que reafirmam a integridade territorial ucraniana. Ainda assim, o tema não foi citado nos comunicados oficiais divulgados após a conversa entre Lula e Putin.
Até o momento, o Palácio do Planalto não explicou por que a soberania da Ucrânia ficou fora da agenda do diálogo entre os dois presidentes.
.jpeg)
