Justiça intima Bolsonaro por associar “CPX” a traficantes: mais uma ofensiva contra a liberdade de expressão?

JR Ferreira
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O ex-presidente Jair Bolsonaro foi intimado pela Justiça para prestar esclarecimentos após postagem em que associou a sigla “CPX” – usada por alguns grupos de esquerda para se referir a “comunistas” – a traficantes de drogas e criminosos organizados. A decisão, repercutida pelo Pleno.News, partiu de ação movida por partidos e figuras políticas que se sentiram ofendidas pela comparação, alegando que a declaração configuraria ofensa ou incitação ao ódio.

Em sua postagem original, Bolsonaro destacou o uso recorrente da sigla “CPX” em manifestações e perfis de militantes de esquerda, questionando: “CPX é o código que eles usam para se identificar como comunistas. Mas, olhando para o que defendem – controle estatal, censura, alianças com ditaduras e até apoio velado a facções criminosas –, parece mais código de traficante mesmo”. A frase, interpretada por críticos como provocação, gerou imediata reação judicial.

Para apoiadores do ex-presidente e grande parte do público conservador, a intimação representa mais um capítulo da perseguição sistemática contra Bolsonaro e contra a liberdade de expressão no Brasil. “Se associar comunistas a traficantes é crime, então por que ninguém é intimado quando chamam conservadores de fascistas, golpistas ou nazistas o dia inteiro?”, questionam milhares de comentários nas redes. Muitos veem na ação uma tentativa de calar vozes dissonantes, especialmente quando o alvo é o líder com maior capital político da direita brasileira.

O caso se soma a uma longa lista de processos e inquéritos que envolvem Bolsonaro desde que deixou a Presidência: desde supostas fake news até investigações sobre atos de 8 de janeiro, passando por declarações em lives e postagens. Críticos apontam seletividade: enquanto discursos inflamados da esquerda – incluindo acusações graves contra opositores – raramente resultam em medidas judiciais rápidas, qualquer crítica vinda do campo conservador parece encontrar eco imediato no Judiciário.

Bolsonaro, que sempre defendeu o direito à livre manifestação de pensamento, deve responder à intimação nos próximos dias. Seus advogados já sinalizam que a defesa será baseada na liberdade de expressão garantida pela Constituição, argumentando que a postagem se enquadra em crítica política legítima e não em crime de ódio ou discriminação. “O ex-presidente apenas apontou incoerências ideológicas. Isso é debate público, não crime”, afirmam aliados.

Enquanto isso, o episódio reforça entre conservadores a percepção de que o sistema jurídico brasileiro opera com pesos diferentes: dura com a direita, branda com a esquerda. A sigla “CPX”, que surgiu organicamente nas redes como forma de ironizar o extremismo esquerdista, virou pretexto para mais uma ofensiva. Para muitos, o recado é claro: criticar o establishment ideológico pode custar caro – mas o povo continua vendo em Bolsonaro a voz que não se cala.

A direita brasileira, mais uma vez, assiste e anota: liberdade de expressão não pode ser seletiva. Seja “CPX” ou qualquer outra sigla, o direito de apontar contradições deve valer para todos. Caso contrário, o que resta é censura disfarçada de proteção à honra.



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