Grupo Lide, de Doria, escondeu vídeo de Vorcaro sendo premiado: mais uma tentativa de apagar rastros?

JR Ferreira
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 O Grupo Lide – associação de empresários fundada e presidida por João Doria durante anos – está no centro de mais uma polêmica que reforça a percepção de opacidade e seletividade entre a elite econômica e política brasileira. Segundo apuração do Pleno.News, o Lide removeu ou ocultou de seu site oficial e canais de comunicação um vídeo em que o empresário Meyer Joseph Vorcaro Neto era homenageado e premiado em evento da entidade.

Vorcaro, figura ligada a setores influentes do agronegócio e do empresariado, recebeu a distinção em solenidade promovida pelo Lide – o mesmo grupo que, sob a gestão de Doria, se posicionava como “defensor da ética, da transparência e do livre mercado”. No entanto, após surgirem questionamentos públicos sobre supostas ligações de Vorcaro com esquemas investigados ou com figuras controversas do establishment, o material desapareceu dos arquivos digitais do Lide. Capturas de tela e versões antigas do site mostram que o vídeo existia e era acessível, mas agora está indisponível ou foi deliberadamente retirado.

Para muitos observadores conservadores, o episódio não é mero descuido técnico: é mais uma evidência de como certas elites “limpam” sua imagem quando o vento muda de direção. João Doria, que usou o Lide como trampolim para sua carreira política e que sempre se vendeu como o “empresário honesto contra a corrupção”, parece ter aprendido rápido as regras do jogo: apagar o que incomoda, silenciar o que pode manchar. Enquanto isso, o mesmo grupo promove discursos moralistas em eventos fechados para a alta sociedade.

O caso ganha contornos ainda mais graves quando se lembra que o Lide, durante a pandemia, posicionou-se como voz “responsável” do setor privado, cobrando medidas duras do governo Bolsonaro e defendendo lockdowns e narrativas oficiais. Agora, com Vorcaro no centro de polêmicas, o silêncio e a remoção do vídeo sugerem que a “ética” pregada vale só até o momento em que afeta os próprios interesses ou alianças.

Conservadores e liberais que acompanham o tema veem nisso um padrão recorrente: a grande mídia e entidades como o Lide são rápidas em amplificar qualquer deslize da direita, mas lentas – ou seletivas – quando o assunto envolve seus próprios pares. “Se fosse um aliado de Bolsonaro premiado e depois questionado, a Globo faria plantão, o Lide se pronunciaria em nota oficial e o cancelamento seria imediato. Mas quando é do ‘nosso lado’, some o vídeo e segue o baile”, comentam internautas indignados.

Até o momento, nem o Lide, nem João Doria, nem Meyer Vorcaro se manifestaram oficialmente sobre a remoção do vídeo. A falta de explicação só alimenta especulações: o que exatamente queriam esconder? Que tipo de constrangimento evitam ao apagar um simples registro de premiação?

Enquanto isso, o episódio reforça uma lição amarga para o brasileiro comum: transparência e ética são cobradas de cima para baixo, mas raramente praticadas pelos que estão no topo. O Lide pode continuar promovendo jantares de gala e discursos bonitos sobre “valores republicanos”, mas ações como essa mostram o quanto essas palavras soam ocas quando confrontadas com a realidade.

O Brasil precisa de instituições – empresariais, políticas e midiáticas – que pratiquem o que pregam. Esconder vídeos não apaga fatos; só aumenta a desconfiança. E desconfiança, quando acumulada, vira rejeição total. O povo já percebeu: o jogo de aparências da elite não engana mais ninguém.


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